fev 20 2013

E o meteoro na Rússia?

Certamente todos viram ou ouviram falar sobre o meteoro nos Urais, região central da Rússia, na sexta-feira, 15 de fevereiro. Pois bem, tracemos alguns comentários!

Meteoro sobre os Urais, na Rússia. (Fonte: youtube.com.)

Meteoro sobre os Urais, na Rússia. (Fonte: youtube.com.)

Em primeiro lugar, por que a demora em escrever este artigo? Afinal, a queda do corpo celeste ocorreu já há cinco dias! Simples: porque eu estava buscando material e informações confiáveis como fonte, evitando, assim, a propagação de numerosos mitos infundados que já surgiram internet afora.

Posto isso, o que sabemos com certeza? Bem, o corpo em questão é rochoso, com cerca de 10% de ferro, segundo evidências coletadas por cientistas da Universidade Federal dos Urais em 53 fragmentos recuperados num lago gelado da região.

Sabemos também que, segundo estimativas da NASA, a explosão liberou cerca de 500 quilotons de energia, algo 33 vezes maior que o liberado pela bomba nuclear lançada sobre Hiroshima em 1945, durante a II Guerra Mundial. Além disso, o estudo da “bola de fogo” que surgiu no céu quando da explosão mostrou que o corpo teria um diâmetro aproximado de 17m ao entrar em nossa atmosfera.

Segundo informações divulgadas por agências governamentais russas, a onda de choque gerada a 10 000 metros de altitude danificou mais de 4 700 edifícios e feriu mais de 1 000 pessoas, principalmente com estilhaços de vidro das janelas, gerando um prejuízo da ordem de 33,2 milhões de dólares.

Enquanto isso, pela internet…

É claro que já surgiram numerosos vídeos tratando deste assunto, com grandes doses de mentiras e sensacionalismo. Por exemplo, um vídeo garimpado no Youtube afirma que as forças armadas russas, ao perceber o corpo celeste, o teria atingido com um míssil para fragmentá-lo! Bem, não há fontes oficiais e/ou sérias que confirmem tal “informação”.

Há também um youtuber que clama para si a primasia de exibir a cratera produzida pela queda. Há um porém: a imagem exibida não apresenta as características de uma cratera de impacto, embora seja impressionante, interessante e gigante!

A "Porta do Inferno", no Turcomenistão. (Fonte: youtube.com.)

A “Porta do Inferno”, no Turcomenistão. (Fonte: youtube.com.)

Ora, a cratera em questão, com 70m de diâmetro, é consequência de uma perfuração realizada em 1971 no Turcomenistão, extinta União Soviética, que encontrou um bolsão de gás que fez o solo e a caverna implodirem. A quantidade de gás liberada pelo enorme buraco era tão grande que os geólogos resolveram atear fogo para extingui-lo “em alguns dias”. Bem… Ainda está queimando, quase 42 anos depois!

Houve também a divulgação (UOL, por exemplo) de que o corpo teria cruzado os céus brasileiros antes de atingir seu destino. Porém, a análise das imagens dadas como evidência não apresentam as características de um meteoro, conforme destacou um grupo de meteorologistas do sul do Brasil. O laboratório da UFAL que havia divulgado a informação reconheceu o erro.

E a cratera verdadeira?

A cratera produzida por “nosso” astro foi encontrada num lago congelado e apresenta por volta de 8m de diâmetro. Os cientistas que a encontraram acreditam que será possível recuperar o que sobrou da explosão – o meteorito – no fundo do lago.

Cratera produzida pelo meteoro no lago Chebarkul. (Fonte: Ministério do Interior da Rússia.)

Cratera produzida pelo meteoro no lago Chebarkul. (Fonte: Ministério do Interior da Rússia.)

Enfim, episódios como este são comuns no planeta, sobre o qual caem toneladas de materiais celestes todos os dias. Em sua maioria, porém, tais objetos são muito pequenos, passando despercebidos para nós. Muitas vezes produzem um rastro luminoso à noite, configurando o que chamamos popularmente de “estrelas cadentes”. Um corpo com as dimensões citadas, por outro lado, costuma atingir nosso planeta em períodos de aproximadamente 100 anos.

Antes deste, o maior caso registrado aconteceu em 1908, na Sibéria, quando um meteoro explodiu sobre a região de Tunguska provocando a queda de cerca de 80 milhões de árvores, com uma energia liberada da ordem de 10 megatons.

Árvores derrubadas em Tunguska, Sibéria, após a explosão de um meteoro em 1908. (Fonte: NASA.)

Árvores derrubadas em Tunguska, Sibéria, após a explosão de um meteoro em 1908. (Fonte: NASA.)

Em tempo: o meteoro de que tratamos neste post não tem qualquer relação com o asteroide que passou bem próximo à Terra também no dia 15 de fevereiro, a 27 700km de nosso planeta.

Ah! E lembre sempre:

  • Meteoro: fenômeno luminoso no céu, consequência da incineração de um corpo celeste que penetra nossa atmosfera.
  • Meteorito: fragmento de um corpo celeste que atinge a superfície do planeta após cruzar a atmosfera.

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Origem da vida

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Engenharia Genética II

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Bioenergética: respiração e fermentação

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